julho 4, 2022
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Musica

“Sou muito mais quieta, mais calada e mais envergonhada”, diz Anitta sobre sua versão Larissa

Você pode não gostar, mas não consegue parar de ver.” Talvez essa frase explique ao menos um pouco o fenômeno Anitta. Ela foi dita por um dos entrevistados para a série documental Made in Honório (Netflix), lançada em 2020, sobre a maior sensação da música pop brasileira dos últimos tempos. Idolatrada pelos milhões de fãs, a quem ela se refere como “anitters”, a cantora, dançarina e empresária é patrulhada por uma legião de haters que não deixa de acompanhar cada rebolado e também cada uma de suas conquistas. “Leio eventualmente (críticas e agressões). Não sou uma stalker de mim mesma, não. E não recomendo. Já lidei mal com o ódio alheio. Hoje, penso que no fundo, todo hater é fã pedindo atenção.”

Para entender o que levou Anitta a prosperar dessa forma, é preciso entender os percalços do trajeto que começou na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, até Nova York, na manhã em que a estrela pop conversou coma Vogue, por meio de uma chamada de vídeo, feita no estúdio em que fotografava o ensaio que ilustra a entrevista. Um caminho que passa por superações pessoais, recordes, músicas em vários idiomas, entrevistas em programas estrangeiros, parcerias com artistas bem situados no cenário global – como a participação no álbum deluxe “Attention”, de Miley Cyrus –, a amizade com Mariah Carey, desde que as duas se encontraram por acaso numa loja de uma estação de esqui nos Estados Unidos.

No dia da entrevista, Anitta estava às voltas com a repercussão de ser a primeira brasileira a chegar à posição número 1 do Spotify Global com “Envolver”, ainda muito irritada com a chamada da capa da Nylon, revista distribuída no festival de música Coachella, onde ela se apresentaria no palco principal, e já de olho no que viria pela frente: o lançamento do seu quinto álbum, Versions of Me, com canções em português, inglês e espanhol.

De roupão branco e com longos apliques no cabelo, à medida que a conversa flui, ela parece se despir emocionalmente para falar sobre a personagem que criou para vencer no mercado da música e também para lidar com o preço alto que a fama cobra de uma artista mulher ousada, ambiciosa, sexualmente bem resolvida. A voz fica mais doce e o sorriso mais largo quando “tira a capa de Anitta”, como ela mesmo define, e fala de Larissa, a carioca de Honório Gurgel.

“É um escudo, sou bem diferente na vida real. Quando estou de Larissa, sou bem ao contrário. Precisei criar essa capa que faz, que acontece, que fala. E que fala muitas vezes mais do que eu realmente faço, justamente para provocar a sociedade a conversar sobre o assunto, para que passem a aceitar pessoas que são diferentes. Não para criar polêmica, mas para mostrar a controvérsia, para entenderem que uma pessoa pode ter uma vida aberta, doida, uma vida do jeito que ela quiser ter. Acho que no Brasil já abri muitas portas para as mulheres.” E como é a Larissa na intimidade? “Sou muito mais quieta, mais calada e mais envergonhada, embora ninguém acredite nisso.”

Com a carreira assumindo proporções globais, parece difícil dar descanso à fantasia de poderosa. Se no Brasil ela acredita ter derrubado algumas barreiras sobre o que uma mulher pode ou não pode vestir, falar, cantar, fora do país ainda há muito trabalho pela frente. “Parece que as pessoas são mais abertas, mas não são. Eu retomei o discurso do começo da minha carreira, de ser mais louca, de ser mais desbocada, porque essa porta ainda precisa ser aberta para as mulheres, principalmente no mercado latino.”

Por saber exatamente a imagem que quer passar e muito tranquila sobre o que pensa em relação à vida, Anitta subiu nas tamancas quando deu de cara com a chamada da revista Nylon: “Na América do Norte, as pessoas só querem parecer descoladas. No Brasil, todo mundo quer é se divertir e transar. Eu quero trazer essa energia para cá”. A cantora conta que ficou arrasada, chorou e concorda com as críticas que recebeu, porque sabe que as pessoas querem ser bem representadas. “Não me arrependo do que eu disse, mas de reduzirem o que foi dito a um pensamento sobre o país. Tô falando da minha personalidade, tô falando do ambiente em que vivo, de sair, de dançar até o chão, desse ambiente, e não da sociedade como um todo. No contexto que foi colocado, concordo com todas as críticas, tanto que fiquei revoltadíssima.” Anitta não deixou barato, e a Nylon acabou trazendo outra versão de capa sem a frase da discórdia.

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