junho 29, 2022
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Musica

Simone avalia trajetória de meio século na música: “Vejo que acertei bem mais do que errei”

Simone atende a ligação festejando mais uma dose da imunização contra a Covid-19. “Acabei de ser vacinada hoje, pela quarta vez. Foi minha segunda dose do reforço”, conta a cantora de 72 anos, opinando que, apesar da vacinação, ainda não é o momento para relaxar com as medidas de proteção dos últimos anos.

“A gente tem que se cuidar, usar máscara… Tem que existir uma higienização muito forte, acho que tudo isso tem que continuar, mas cada um faz sua parte… Não está mais como era antes, mas tem casos aumentando, essa gripe está vindo forte”, argumenta.

É com a mesma alegria que a artista fala sobre Da Gente, seu primeiro disco desde É Melhor Ser (2013). No novo trabalho, a baiana volta a percorrer a trilha do afeto, por meio do olhar cuidadoso a compositores do Nordeste e pela temática das 12 músicas que pinçou para o repertório. Amores, encontros e reflexões sobre os dias de hoje dão o tom do novo CD.

“A ideia de fazer um disco apenas com canções de autores nordestinos vem de 2015, mais ou menos. São esses projetos que você quer fazer, mas foi sendo adiado. Até que calhou de acontecer em 2021, quando conversei com a ZD [Zélia Duncan], e ela, que é uma pessoa muito inquieta e curiosa, e que tem essa generosidade muito legal com as pessoas, começou a abrir músicas para mim”, recorda.

Zélia disse à amiga que ela precisava conhecer uma pessoa: Juliano Holanda, compositor, diretor e produtor pernambucano que vem se destacando na cena contemporânea da música brasileira. “Quando nos encontramos a primeira vez para falar sobre o disco, a ZD veio aqui em casa e me apresentou ‘Haja Terapia’ [música de Juliano que foi escolhida para abrir o disco]. Nós ficamos muito emocionadas com a canção e, a partir daí, o trabalho começou a acontecer”, afirma.

Depois do encontro, o disco foi tomando forma, com Zélia na direção artística e Juliano assumindo o posto de diretor e produtor musical. As primeiras conversas entre os três foram virtuais e, aos poucos, o repertório foi sendo montado, sem preocupação com ineditismos. Boa parte das canções escolhidas é de autores contemporâneos, a maioria deles mulheres. A sonoridade do álbum também traz uma novidade: não há piano ou teclados, instrumentos que estão presentes em toda a discografia da cantora, que em Da Gente foi acompanhada por Holanda (baixo e violão de aço), Webster Santos (violões) e Rapha B (bateria, udu, clave e ganzá).

“‘Da Gente’ é um disco solar, que exalta, como deveria ser sempre, todo o povo nordestino, do qual faço parte. Só quem não é nordestino no trabalho é Zélia, que teve a permissão do Juliano para fazer parte, já que eles têm uma música juntos, e Tiago Torres da Silva, que é um poeta português e fez uma música comigo também. Ele foi admitido como nordestino (risos). Mas todo mundo ama os nordestinos e o Nordeste! É um povo lindo, sem a menor modéstia, uma região linda, um povo feliz, sorridente, uma coisa deliciosa”, elogia.

Da Gente também deu o pontapé inicial nas comemorações dos 50 anos de carreira de Simone, em abril de 2023. “Espero fazer shows, estou há mais de dois anos sem pisar no palco”, afirma a cantora, ansiosa por um reencontro presencial com o público, que deve acontecer no segundo semestre deste ano. “Ontem estava conversando com um grande amigo, que, por sinal, é meu médico. Ele é baiano e mora em São Paulo. Estávamos falando sobre o legado que a gente deixa, e isso é tão gratificante, porque o mundo está cada vez pior, mais agressivo”, reflete.

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