Depois de anos vendo o famoso pedido “Come to Brasil” ecoar pelas redes sociais, o Inhaler finalmente pisou em solo brasileiro. A banda irlandesa se apresentou nos dias 27 e 28 de março em um side show na Audio (SP) e, depois, no Lollapalooza Brasil, respectivamente. Além do público apaixonado, a performance contou com chuva, sol e arco-íris. O Portal ROCKline falou com a banda e você confere como foi abaixo. Por Talita de Alencar.
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Entrevista do Inhaler ao Portal ROCKline
Formado em Dublin, o grupo conta com Elijah Hewson nos vocais – filho do Bono, do U2 – além de Robert Keating (baixo), Josh Jenkinson (guitarra) e Ryan McMahon (bateria). Durante a passagem pelo Brasil, ao Portal ROCKline os integrantes refletiram sobre música, juventude e as influências que moldam sua sonoridade.
Desde 2018, o Inhaler tem se destacado no rock contemporâneo, vendendo mais de 250 mil discos e acumulando 500 milhões de streams. O álbum de estreia, “It Won’t Always Be Like This” (2021), alcançou o topo das paradas no Reino Unido e na Irlanda, enquanto “Cuts & Bruises” (2023) repetiu o feito na Irlanda e ficou em #2 no Reino Unido.
Com isso, a banda tem se consolidado também nas turnês internacionais, abrindo shows para nomes como Arctic Monkeys, Pearl Jam e Harry Styles, além de lotar apresentações próprias – incluindo um show esgotado para 13 mil pessoas no 3Arena, em Dublin.
Agora, com o lançamento de “Open Wide” (2025), produzido por Kid Harpoon, o Inhaler dá um novo passo em sua trajetória. Gravado em Londres, o disco reflete uma abordagem mais experimental da banda, que incorporou influências que vão do techno a Nick Cave, resultando em um som vibrante e atemporal. Com 13 faixas, o álbum reafirma a identidade do grupo como uma das grandes promessas do rock atual.
Isolamento e criatividade
Sobre o processo criativo de “Open Wide”, Elijah destacou a importância do isolamento para evitar interferências externas.
“Não estar em turnê, sem precisar dizer ou fazer coisas, sem olhar o Instagram ou coisas do tipo, contribuiu. Só tínhamos amigos por perto e a família”, explicou o vocalista.
A fase dos 20 e poucos anos também teve um impacto direto na composição do disco.
“Não é como se ainda nos importássemos com o que dizem, mas já criamos um pouco de bagagem nesses três álbuns. Então, sim, esse momento entre os vinte e trinta anos está refletindo no álbum”, acrescentou Josh.
Nas letras, “Open Wide” explora o amor de forma obsessiva e aborda temas como solidão, isolamento e libertação em “Eddie In The Darkness”, desapego e rebeldia em “Billie”, e resistência ao amadurecimento em “A Question of You”.
O single “Your House”, que traz influências do techno, despertou comparações com “Uprising”, do Muse, uma referência que Elijah adorou. “Essa música foi feita para ser ‘suja’ aos ouvidos”, comentou o vocalista, reforçando a intenção de experimentar novas sonoridades.
Shows marcantes e conexão com os fãs
As apresentações do Inhaler reuniram fãs fervorosos e mostraram que o país estava mais do que pronto para recebê-los. No Lollapalooza Brasil, nem o atraso de 40 minutos, devido à tempestade no Autódromo de Interlagos, desanimou o público – que foi recompensado com um show intenso e um arco-íris no céu, criando um momento inesquecível.

Por Talita Alencar
Sobre a experiência com os fãs brasileiros, os integrantes foram unânimes em destacar a intensidade do público. “Vocês fazem as vozes serem reconhecidas. Sinto muita confiança nos brasileiros”, disse Elijah, evidenciando que o apoio vai muito além dos pedidos online.
Com a recepção calorosa, o Inhaler deixa o Brasil com uma nova legião de admiradores e a promessa de que essa foi apenas a primeira de muitas visitas ao país.